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Você é a favor da creche, da babá ou de uma pessoa da família cuidando do bebê, quando a mulher volta ao trabalho? Por quê?
 
Acho que essa decisão deve ser tomada em função de vários fatores pessoais que estão envolvidos no dia-a-dia da família. No livro, coloco os prós e contras em optar pela creche, pela babá ou por uma pessoa da família nos cuidados do bebê. Mas essa decisão é uma opção muito pessoal, que só os pais podem fazer em função do que lhes for mais conveniente e melhor para a criança e para a família.
 
 
O que muda na vida do casal quando o bebê chega? Como fazer para que a rotina não seja tão modificada e o casamento não "sofra"?
 
Acho impossível não haver mudança na rotina do casal. Afinal, a família deixou de ser formada por duas pessoas e passou a contar com mais um integrante, que é extremamente dependente para a realização das suas necessidades básicas, inclusive a alimentação. O que acho importante é que, nessa hora, haja serenidade e a colaboração de alguém, pelo menos nos primeiros meses após o nascimento. Pode ser uma empregada, um parente, uma amiga, a avó, a madrinha, o padrinho...não importa quem seja. No entanto, em alguns casos é difícil contar com a ajuda de uma pessoa. Nessas situações, os pais têm que encontrar alternativas que reduzam trabalhos desnecessários e assim tenham mais tempo para si e para o bebê. Eu, por exemplo, tinha mais de 20 vasos de plantas quando minha primeira filha nasceu. Perdia um tempinho todos os dias regando aquelas plantas. Fora o trabalho de trocar a terra delas. Devia ter jogado tudo fora...
 
 
Como pode-se estimular a participação do pai na gestação e depois, quando o bebê chega?
 
Por vários fatores, mas principalmente por razões culturais, a mulher pode encontrar muita resistência no acompanhamento da gravidez e nos cuidados do bebê por parte do pai da criança. É importante que ela comece cedo tentando quebrar essa barreira.
Uma boa alternativa é procurar levar o futuro papai à consulta do obstetra. Nesse momento, ele pode começar a estabelecer a ligação com o bebê de maneira mais viva, pois terá como sentir a criança mais presente na sua vida, ouvindo os batimentos cardíacos dela, através do exame que o obstetra faz durante as consultas de prénatal. A realização da ultrasonografia é outro momento que o homem pode começar a se sentir pai, pois poderá visualizar o bebê de forma mais clara para ele sem a ´barreira` da barriga da mãe. Mas o nascimento é o momento-chave, no qual é muito importante ele estar presente. Os psicólogos chamam isso de período sensitivo, no qual o homem poderá iniciar seu vínculo afetivo com o filho. Mas se por várias razões o pai não esteve presente no parto, esse vínculo pode ser estabelecido logo em seguida. E isso pode acontecer em vários momentos do dia. O pai só não tem condições de amamentar, mas ele pode dar banho, passear com o bebê, brincar com ele, trocar fralda. Essas são tarefas que não exigem nenhuma habilidade especial e que podem ajudar a estabelecer essa ligação entre pai e filho. Precisa apenas tempo e disponibilidade emocional. E a mãe deve a cada momento propiciar essa participação, estimulando a presença paterna, valorizando qualquer ajuda e colaboração que o pai possa dar. Hoje, ele brinca um pouco com o bebê; amanhã, passeia com ele; depois, pode até trocar as fraldinhas e ficar com ele a tarde inteira...
 
 
Muitas pessoas só falam sobre o glamour da gravidez, mas esquecem os desconfortos, o cansaço, as dores... Você acha importante a mulher que vai engravidar ou a que se descobre grávida ter plena consciência de tudo o que pode acontecer durante a gestação?
 
Acho fundamental para que não ocorra um choque emocional depois. Mas é muito bom também curtir a gravidez, o barrigão crescendo, se produzindo para ficar bonita apesar dos desconfortos que a gestação possa trazer. E a informação vai novamente ajudar a grávida, dando a ela a noção de que desconfortos são temporários, muitas vezes não passam de três meses. É um preço pequeno que se paga por um grande ´presente` que vai se receber, que é o filho.
Você acha que ainda há muitas mulheres que não sabem de seus direitos?
 
Infelizmente, no Brasil o desconhecimento sobre os direitos do trabalhador ainda é muito grande, e as grávidas, enquanto trabalhadoras, não fogem dessa regra. Mas procurando se informar, elas podem ter seus direitos respeitados. A Previdência Social tem um telefone através do qual esclarece todo o tipo de dúvida nessa área. O número é 0800-780191
 
 
O que a mãe de primeira viagem deve fazer para controlar seu impulso de telefonar de cinco em cinco minutos para o pediatra?
 
Quando se trata da saúde da criança, realmente dá uma insegurança danada. Afinal, o bebê não consegue ainda dizer o que está sentindo, e o pai e a mãe têm que ter serenidade nesses momentos para não se preocupar além do necessário. Mas é difícil...Uma saída é na consulta de rotina ao pediatra, pedir que ele dê uma orientação prévia para o caso de doença. Qual seria a temperatura de alarme? Que anti-térmico dar a criança nesses momentos? Que sintomas exigem uma comunicação imediata? Acho que assim fica mais ou menos combinado o que seria aceitável em termos de ligar para o pediatra.
Cris Poli, que faz a Supernanny, no SBT, se ressente de uma educação mais firme, acha que os limites devem ser colocados desde o berço. Você acha que regras e limites são importantes desde cedo?
 
Eu concordo com ela no que se refere a dar limites desde bem cedo. No entanto, não é possível colocar um bebê de castigo ou sem ver TV ou sem visitar um amiguinho. Limite com um bebê é um pouco diferente. Já que ele não fala, é preciso antes saber qual o motivo que faz com que ele chore, que é a sua forma principal de comunicação e protesto. Se está com fraldas limpas, alimentado, descansado e foram eliminadas possibilidades de estar doente, é preciso verificar se o choro não é uma manha para ter a mãe ou o pai ao seu dispor, de preferência no colo deles. Nessa hora, é possível ser firme, mas com paciência e de forma amorosa dizer também um ´não` se a pessoa não pode dar aquele colo tão pedido... Quem sabe oferecendo um brinquedo em substituição a criança não se acalma e fica satisfeita. Ela pode estar querendo apenas um pouquinho de atenção. Se a pessoa precisa realizar suas tarefas domésticas, pode tentar inserir o bebê, colocando-o para vê-la trabalhar, ou dando-lhe uma colher de plástico para brincar...

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