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Você conta que, na sua primeira gravidez, não teve informações mais detalhadas e corretas. E viu a necessidade de colocar no papel tudo mastigadinho para as outras futuras mamães. Qual a importância de um livro, de um guia para as mães de primeira viagem?
 
Acho que hoje em dia as mulheres têm pouco contato com um bebê. Eu, por exemplo, quando fiquei grávida da minha primeira filha já estava com 34 anos e não tinha uma amiga próxima com filhos, nem mesmo minha irmã nem minhas primas, pois elas moram em São Paulo. Meu contato com recém-nascidos era praticamente zero. E, como aconteceu comigo, o mesmo acontece com muitas futuras mamães.
 
As famílias são cada vez menores, nucleares. As pessoas vivem em apartamentos, isoladas de um convívio social maior, como existia antigamente, em que tios, primos, avós, netos conviviam diariamente. Então, perdeu-se essa experiência prática de cuidar do sobrinho, do primo que nasceu. As pessoas vão para a maternidade sem ter noção de nada. O que poderia suprir essa falta de conhecimento seriam os cursos preparatórios de gravidez, que são poucos, costumam ser caros e que, em geral, estão mais voltados para o parto. A outra alternativa são os livros. Por isso, acho que a informação contida num livro como o meu pode ajudar muito.
 
 
Por que você optou por usar o vocabulário futebolístico no texto?
 
O livro tem como um de seus pilares o reconhecimento e a valorização da importância da participação paterna no acompanhamento da gravidez, no nascimento e cuidados do bebê. Muitos estudos mostram como isso é de fundamental importância para a futura mamãe e a criança, principalmente no aspecto emocional. Todos ganham quando o pai passa a cuidar do bebê. A mãe tem com quem dividir as responsabilidades e atividades inerentes ao cuidado com a criança, facilitando a sua atividade profissional; o filho ganha um pai mais presente e amoroso; e os homens desenvolvem sua afetividade e estabelecem vínculo afetivo com os filhos.
 
Partindo desse enfoque, pensei que uma maneira de incentivar a leitura do livro por parte dos homens seria que o texto trouxesse uma linguagem com que eles se identificassem. E o futebol é essa linguagem. No entanto, utilizei expressões de futebol de maneira moderada e de uso corrente para não dificultar a leitura por quem não entende nada de assuntos futebolísticos.
 
 
No texto diz que é fundamental ter um apoio quando o bebê chegar. Mas, assim como aconteceu com você, se a mamãe não puder contar com ninguém, se não tiver como contratar uma babá?
 
Nessa hora, o jeito é reunir toda a energia possível e evitar atividades desnecessárias. Colocar contas em débito automático, fazer compras pelo telefone. Apelar para o bom coração da madrinha e do padrinho da criança, para que fiquem um pouco com o bebê, também é uma opção. Acho que padrinho e madrinha também têm que criar vínculo com o bebê. Além disso, essa é uma boa forma de eles treinarem para serem pais, se ainda não tiverem filhos, né?

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