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13-) E o que lhe parece importante em Aparecida?
 
Grün — Aqui em Aparecida, participando da missa, fiquei muito impressionado e emocionado já na procissão de entrada, quando as pessoas cantavam e participavam com fervor. Esta multidão de pessoas dificilmente se encontra na Alemanha, e a Missa tocava os corações das pessoas. Ali estavam tantas crianças e tantos jovens que não se vêem mais nas nossas Igrejas, e isso me impressionou muito, junto com a manifestação da fé.
 
Acho que um santuário assim tem uma tarefa muito importante para um país. A devoção a Nossa Senhora é muito importante no Brasil e na América Latina. Pois acho que Maria, mãe dos pobres e mãe dos que se sentem abandonados, dá a certeza para as pessoas de que elas não estão sozinhas. Maria aponta o Deus materno, nos diz que Deus mesmo é como uma mãe na qual encontramos aconchego e temos um abrigo.
 
Todos esses aspectos, a fé na qual encontramos um lugar e um abrigo, uma fé que também é emocional, a devoção a Nossa Senhora, tudo isso mostra a experiência das emoções de uma maneira bem positiva. Acho tudo isso uma forma muito saudável de espiritualidade, que acolhe saudades e carências humanas muito importantes e dá uma resposta que nós, na fé, encontramos um abrigo e nos sentimos protegidos perto de Deus.
 
Maria, como mãe, não julga. A teoria masculina sempre julga, julga o que é bom e o que é mau. Mas uma mãe deixa crescer, e acredito que isso para mim é um aspecto importante de uma devoção saudável a Nossa Senhora: uma devoção que deixa crescer, deixa acontecer e leva a acreditar que o núcleo bom sempre se fortalecerá, sem paralisar a vida por medos e moralizações negativas. Foi isso que senti na Missa em Aparecida, e isso me emocionou e tocou muito.
 
 
14-) O que gostaria de dizer como mensagem de despedida nesta visita?
 
Grün — Em primeiro lugar, quero dizer que foi um grande prazer conversar com vocês e também ter estado no Brasil. Estou impressionado pela força e fé, pela emocionalidade e vivacidade que vocês têm. Desejo sinceramente que continuem vivendo essa força, esses dons.
 
Desejo também que vocês encontrem na fé a força de viver bem a sua vida. Ressalto duas coisas importantes: que vocês encontrem, dentro de vocês, um espaço, um lugar, onde há silêncio, onde ninguém possa feri-los e machucá-los; um lugar onde os problemas sociais não os condicionem, mas onde vocês façam, na fé, a experiência de liberdade e de dignidade; e que dentro de vocês exista este espaço, este lugar, onde ninguém possa feri-los, onde Deus more dentro de vocês. Este é o meu desejo.
 
Mas tenho também outro: que vocês mantenham viva na Igreja a sensibilidade pela justiça social. Penso que nós alemães podemos aprender muito de vocês, e queremos mesmo aprender de vocês, para que essa sensibilidade por justiça social se mantenha viva também na nossa Igreja.
 
Desejo que continuem com essa força de fé que vocês têm, e que vocês dêem uma boa organização a este país, e que encontrem dentro de vocês sempre de novo esta fonte, fonte do Espírito.
 
Que vocês possam receber Dele a água viva, sem nunca se esgotar, porque esta fonte é inesgotável. E que vocês continuem fazendo a experiência de Deus como o Deus materno, que lhes dá abrigo, dignidade e liberdade interior.

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