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11-) É preciso então combinar espiritualidade e oração com um engajamento social?
 
Grün — Eu não posso lutar sempre; eu preciso também descansar; e a oração é como um lugar de descanso. Mas quando eu quero somente descansar na oração, então ela não daria fruto e seria um círculo narcisista, em torno de mim mesmo. Não é desta forma de piedade que precisamos para o mundo de hoje. Precisamos de uma piedade ativa que também tenha força e agressividade, que arregace as mangas e esteja inserida no social, ao mesmo tempo em que esteja marcada por uma paz interior profunda. Sem isso, iremos levar a nossa insatisfação e impaciência para dentro do mundo, sem achar salvação nenhuma.
 
Penso que o futuro depende de uma boa síntese entre teologia política e teologia mística. Essa é para mim a solução, mas também a tarefa da Igreja. Temos sempre presente a memoria passionis, a memória da paixão e do sofrimento.
 
João Batista Metz, teólogo alemão, fala da memória subversiva, da memória perigosa que não se acomoda diante do sofrimento do mundo. Esta memória faz a sociedade ser sensível ao sofrimento. E somente uma sociedade sensível ao sofrimento será humana. Uma sociedade insensível ao sofrimento, na qual a paixão é inadmissível ou indesejada, se tornará sempre mais brutal, e por isso a Igreja é para mim muito importante para a sociedade, para que esta se mantenha humana e não se torne sempre mais brutal.
 
 
12-) Que impressões o senhor teve neste breve contato com o Brasil?
 
Grün — Infelizmente estou no Brasil somente por três dias. Estou impressionado com as pessoas e com sua cordialidade, emoção e proximidade que demonstram. Assumem muito o seu corpo, logo abraçam, são cordiais: tudo isso me fez muito bem. Nós, na Alemanha, temos complexos e somos mais secos e racionais; e então este ambiente me faz muito bem.
 
Fiquei admirado também com a quantidade de jovens que se interessam pelas questões da fé. Além disso, as megalópoles são novidade para mim: a Alemanha não tem cidades tão grandes assim. Berlim, que é a maior cidade na Alemanha, tem três milhões de habitantes, e São Paulo aqui tem 17 milhões. Não posso me imaginar morando numa cidade tão grande.
 
Verifico também que os brasileiros sabem organizar e estruturar bem as coisas. Eu achava que eram mais desorganizados e pensava que só os alemães seriam bem organizados. Mas fiquei impressionado como os brasileiros são bons e hábeis na organização. Então foi um prazer muito grande vir ao Brasil e poder me sentir muito perto das pessoas.

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