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ENTREVISTA COM ANSELM GRÜN
Entrevista concedida à Editora Idéias & Letras e à TV Aparecida. Questões preparadas por Roberto Girola e Márcio Fabri. Tradução do Alemão feita por Márcio Fabri e Norbert Foerster. 3 de maio de 2006.
1-) Seus livros foram traduzidos em mais de 20 países. Aqui no Brasil já temos cerca de 20 títulos traduzidos. A que se deve o sucesso de suas obras?
Grün — Primeiro, creio que existe hoje uma grande procura, um grande desejo por espiritualidade, e também por espiritualidade cristã. Eu procuro falar em uma linguagem muito simples, fácil de se entender. Evito fazer julgamentos, procurando, ao contrário, caminhar com as pessoas a partir do lugar onde elas se encontram. Evito também as receitas prontas. Procuro escutar os problemas com atenção e, a partir daí, tento achar junto com as pessoas um caminho para viver a vida de uma maneira melhor.
2-) Nos livros “Ser fragmentado” e “O que nos adoece e o que nos torna sadios”, ambos publicados pela Editora Idéias & Letras, o senhor fala sobre a fragmentação do homem moderno. Quais são os principais fatores dessa fragmentação do ser humano hoje?
Grün — Acredito que o ser humano contemporâneo é dividido entre diversas carências, diversas necessidades, entre imposições sociais e carências pessoais. Ele sente o hiato entre os ideais que ele mesmo tem e sua realidade, que muitas vezes não corresponde a esses ideais. Ele é dividido entre as promessas que a sociedade faz, entre a obrigação do sucesso e a própria fragilidade e a própria limitação.
Outra razão, acredito, seja a falta de limites. Muitas pessoas têm hoje exigências ilimitadas, e a sociedade alimenta a ilusão dessas exigências. Mas o ser humano não é ilimitado, ele tem os seus limites. E isso o dilacera internamente.
Outra causa é muitas vezes ele ter perdido a profundidade da sua fé e da sua própria identidade. Ele não sabe mais quem ele próprio é. Ele é determinado e condicionado externamente, por outras pessoas, e a identidade própria vai se perdendo cada vez mais.
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