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9-) Na Alemanha, o senhor costuma dar numerosas palestras a executivos. O que o aproxima desse mundo e o que o faz pensar na necessidade de sair do mosteiro para ir ao encontro do mundo?
 
Grün — Eu vejo duas tendências hoje na economia: uma, onde as coisas se tornam sempre mais rudes, e onde somente o dinheiro e a maximização do lucro contam. Para mim isso é desumano. Do outro lado, sinto uma tendência para valores cristãos: muitos empresários e gerentes sentem que buscar somente o dinheiro leva a um mundo sem sentido e ao estresse, sem dar alegria e prazer.
 
Eu tento, como monge, reforçar esta tendência e esta procura por valores cristãos. Eu sou monge no mosteiro, mas sou também beneditino de missão, e então localizo minha tarefa missionária diante da economia. Pois a economia é um fator importante que dá forma à sociedade, e quando a economia dá à sociedade uma forma desumana, então o clima na sociedade se torna sempre mais rude e desumano.
 
Liderar significa, para mim, criar uma cultura humana na firma, para que também o clima na sociedade se torne mais humano. Quando a cultura na firma é rude, a cultura na sociedade será mais rude também, e mais criminosa Diante disso, sinto-se chamado à responsabilidade, pois ser monge não é retirar-se simplesmente do mundo, mas é também continuar responsável por esta sociedade. Cumpro esta minha responsabilidade reforçando esta tendência pelos valores cristãos; e acredito que isso é importante para a sobrevivência da humanidade neste mundo, especialmente neste tempo de globalização.
 
 
10-) Na sua opinião, como podem se conduzir pessoas que tenham, vivendo em um mundo secularizado e globalizado?
 
Grün — A globalização é hoje uma realidade, mas seu desafio decisivo é se deixamos que nela se instaure a lei do mais forte, tornando-a uma desgraça para o mundo todo; ou se nós conseguimos humanizar a globalização, dinamizando nela os valores sociais e a justiça. Assim, ela pode tornar-se um fator de paz.
 
Eu acredito que a Teologia da Libertação, que justamente aqui no Brasil deu uma contribuição muito importante e valiosa, será indispensável para o futuro, pois sabemos que, se a globalização não trouxer no seu bojo a justiça social, este mundo vai se destruindo cada vez mais.
 
A Teologia da Libertação é para mim um caminho bem concreto da encarnação da fé cristã e uma forma de se levar o mundo a sério. Hoje há formas de espiritualidade que são mais uma regressão narcisista na qual a única coisa importante é eu me sentir bem, eu me recolher no meu canto ou me extravasar em sentimentos e emoções eufóricos, deixando que o mundo se vire sozinho. Isso não é uma espiritualidade cristã. Jesus entrou no mundo, e a Igreja tem também uma missão profética de denunciar tendências negativas na sociedade, e uma missão de mostrar caminhos sobre como viver neste mundo na justiça e na paz. "Quem semeia a justiça, colherá a paz", diz a Bíblia.
 
Sem uma justa distribuição dos bens não haverá paz, e por isso é para mim muito importante que a espiritualidade do futuro ligue muito bem os dois pólos da mística e da política, isto é, o engajamento neste mundo, mas também o lugar da contemplação e do silêncio, no qual as pessoas tenham onde se refugiar. 

 

 

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