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7-) Como vê o trabalho em nosso momento cultural atual?
 
Grün — Para mim, um desafio muito importante de "Ora et labora" é uma cultura de trabalho na qual o trabalho seja um prazer para a pessoa humana, um espaço onde ela goste de trabalhar.
 
Se a cultura do trabalho estiver doente, se a pessoa humana está sendo explorada, se a pessoa é sobrecarregada, o que acontece? Ela primeiro fica doente e depois enrijece e se torna violenta. Uma cultura de trabalho violenta cria também violência na sociedade.
 
Por isso, a política e a economia têm uma tarefa muito, muito importante para a saúde de um povo. Primeiro, criar uma cultura de trabalho saudável e não explorar o ser humano e não tratá-lo com injustiça. Em segundo lugar, que ela ofereça suficientes oportunidades de trabalho. Isso certamente grande número de sociedades contemporâneas não consegue realizar, também aqui na América Latina.
 
Mas, mesmo assim, não podemos deixar de lutar por uma cultura desse tipo, pois palavras piedosas não adiantam nada quando as estruturas são injustas, e quando toda uma cultura do trabalho deixa as pessoas doentes.
 
 
8-) Como compreender as exigências cristãs sobre o sacrifício diante de uma cultura de cultivo ao corpo na vida contemporânea?
 
Grün — Em primeiro lugar, quero dizer que a religião cristã anuncia a encarnação, isto é, que o Verbo se fez carne. Eu conheço cristãos que dizem "Eu creio em Deus", mas com seus gestos mostram que, de fato, não ligam para Deus e se preocupam só consigo mesmo. O corpo é o lugar da experiência de Deus. "A alma — diz Hildegard von Bingen — gosta de morar no meu corpo".
 
Este seria um primeiro aspecto: que nós tratemos bem o nosso corpo, que nós amemos o nosso corpo. Com o corpo e no corpo. E isso é diferente da cultura do corpo atual, que muitas vezes é muito estressante, porque só é possível se sentir bem no seu corpo quando este corresponde às expectativas da sociedade.
 
Um segundo aspecto consiste no sacrifício do corpo. Certamente vemos muitas vezes o sacrifício do corpo de forma negativa, como resignar, sobrecarregar-se, ser muito duro consigo mesmo. Isso não é muito bom. Eu gostaria de falar de "oblação" em vez de "sacrifício". Na oblação, eu me dedico ao trabalho e à pessoa humana, e nessa oblação a vida flui. Um sacrifício que mortifica, que é negativo, não corresponde à fé cristã.
 
Outro aspecto: a psicologia diz que renunciar faz parte do ser humano. Sigmund Freud, como um psicólogo crítico, diz que sem renúncia não é possível alcançar um "ego" forte. O ser humano precisa das duas coisas: precisa gostar da vida e ter prazer, mas ele precisa também do limite e da renúncia para poder viver.
 
Hildegard von Bingen disse uma vez: "Disciplina é a arte de poder alegrar-se sempre". Acho que isso mostra que o sacrifício e a renúncia bem compreendidos conduzem sempre à vida. Quando o sacrifício impede a vida, então é masoquista e certamente não corresponde à Verdade. 

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