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GESTÃO COMO DOENÇA SOCIAL

 Ideologia, poder gerencialista e fragmentação social

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Sob uma aparência pragmática, a gestão constitui uma ideologia que legitima a guerra econômica e a obsessão pelo rendimento financeiro. Os “gestionários” instalam, na verdade, um novo poder gerencialista. Trata-se não tanto de um poder autoritário e hierárquico, e sim de uma incitação ao investimento ilimitado de si no trabalho, para tentar satisfazer os próprios pendores narcísicos e as próprias necessidades de reconhecimento. Trata-se de instilar nas mentes uma representação do mundo e da pessoa humana, de modo que o único caminho de realização de si consista em se lançar totalmente na “luta pelos lugares” e na corrida para a produtividade.

Ora, a fim de melhor garantir seu empreendimento, essa lógica transborda seu campo e coloniza toda a sociedade. Hoje, tudo é gerenciado — as cidades, as administrações, as instituições, mas igualmente a família, as relações amorosas, a sexualidade... O Ego de cada indivíduo se tornou um capital que ele deve fazer frutificar...

Essa cultura do alto desempenho, porém, e o clima de competição generalizada, põe o mundo sob pressão. O assédio se banaliza, acarretando o esgotamento profissional, o estresse e o sofrimento no trabalho. A sociedade é apenas um mercado, um campo de batalha insensata, em que o remédio proposto aos malefícios da guerra econômica consiste sempre em agravar a luta. Diante dessas transformações, a política, contaminada por sua vez pelo “realismo gestionário”, parece impotente para delinear os contornos de uma sociedade harmoniosa, preocupada com o bem comum.

Podemos, contudo, escapar dessa epidemia? Podemos repensar a gestão como instrumento de organização e de construção de um mundo comum, em que a ligação social importe mais que o bem individual? Em todo caso, essa é a pista que abre aqui o diagnóstico do sociólogo clínico.

Sobre o autor:

Vincent de Gaulejac é diretor do Laboratório de mudança social e professor de sociologia na Universidade de Paris-VII. É autor de diversas obras, entre as quais Le Coût de l’excellence, La Lutte des places, Les Sources de la honte. Também preside o Comitê de pesquisa de sociologia clínica na Associação Internacional de Sociologia.

Outros títulos da Coleção Management:

A estafa do ator - O drama executivo no teatro corporativo - Thomaz Wood Jr.

Ser executivo - Um ideal? Uma religião? - Jean Bartoli

Trabalho e identidade em tempos sombrios - Insegurança ontológica na experiência atual com o trabalho - Pedro Fernando Bendassolli

Autor: Vincent de Gaulejac / Tradução: Ivo Storniolo  
Título original: La societé malade de la gestion: edèologie gestionnaire, pouvoir managérial et harcèlement social - Editions Du Seuil, 2005
Páginas: 344
Edição:
Ano: 2007
Coleção: Management
ISBN: 9788598239972

Formato:
14,00 cm x 21,00 cm
Peso:
0,418
Cód. Fabricante: 3.01.02.1128

 
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